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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cultivo em brita

Caros amigos, o cultivo em brita não é nenhuma novidade, mas sempre vale lembrar a todos dessa ótima opção.
Comigo, a coisa tem caminhado muito bem e me mantem estimulado a continuar com esse cultivo.

Por isso, separei 2 artigos para que todos possam ler:

TEXTO 01

Esse texto que passarei pra vcs agora, foi enviado à lista de discussões da internet, por Francisco M. W. Tognoli, membro do Círculo Rioclarense de Orquidófilos, que autorizou a divulgação aqui no nosso site e se colocou à disposição de todos para maiores esclarecimentos. Quem quiser entrar em contato, o e-mail do Chico éftognoli@rc.unesp.br



CULTIVO EM BRITA




Iniciei meu cultivo em brita antes mesmo da proibição do xaxim. Nas
dezenas de trabalhos de campo na época da faculdade comecei a observar a
ocorrência de orquídeas sobre rochas e decidi testar alguns substratos
rochosos, incluindo a brita. Já se passaram pelo menos 8 anos e até
agora nenhuma queixa desse substrato.

O termo brita é usado para designar fragmentos de tamanhos variados de
rochas duras, usadas na construção civil para fazer concreto, para
pavimentar estradas de terra ou de asfalto, para fazer calçadas
portuguesas ou paralelepípedos etc. O termo não tem nada a ver com o
tipo de rocha utilizado na britagem. Assim, em cada região pode-se ter
britas de composições diferentes. De um modo geral, predominam as britas
graníticas (rosadas, cinzas, esbranquiçadas) e as basálticas (cinza
escuras ou pretas).

Para se ter uma idéia da distribuição dessas rochas no Brasil e de
repente descobrir que tipos de rochas ocorrem onde vocês moram, dêem uma
olhada no mapa geológico brasileiro em anexo. Atentem para os basaltos
(em azul claro) e para os granitóides (em rosa,vermelho e vermelho
escuro)


L. tenebrosa plantada em brita pura

Para se descobrir que tipo de rocha existe na sua cidade há uma maneira
muito simples: vá a uma casa de materiais de construção. O vendedor
dificilmente saberá dizer se é granítica ou basáltica, mas você pode
descobrir pelas cores e por um pequeno detalhe. Os basaltos são cinza
escuros ou pretos (Foto 1) e têm aspecto homogêneo, ou seja, não dá para
ver cristais. Os granitos podem ser esbranquiçados, cremes, cinza
claros, rosados ou avermelhados. E dá para ver cristais nítidos (ver
fotos em http://www.euromargranitos.com.br/prod.asp). Existe um outro tipo de
brita, muito mais raro, que é proveniente de rochas calcárias e
abundantes nas regiões produtoras de calcário agrícola ou cimento. E um
outro grupo de rochas que existe no comércio são os quartzitos,
conhecidos genericamente como Pedra São Tomé, essas que são colocadas em
volta de piscinas.

Não se preocupem em distinguir uma da outra. Muito menos tentar
descobrir qual é melhor que qual. Já testei todas e os resultados sempre
foram bons. Pelas quatro questões apontadas pelo CG (preço,
funcionalidade, disponibilidade e estética) utilizo a brita de granito
róseo. Mas quando não tem desse, compro do cinza ou outro qualquer.
Muito mais importante que isso, é a adaptação de todo o modo de cultivo
para um substrato novo. Nesse processo, os desacertos sempre são sempre
um aprendizado importantíssimo. De forma geral, considere os seguintes
aspectos:

1)Quanto menor o tamanho da pedra, maior é a retenção de água. Assim, os
pedriscos vão ficar mais tempo molhados ou úmidos que a brita 3 (ver
tabela abaixo).

Nome Granulometria
brita 3 57 a 32mm
brita 2 32 a 24mm
brita 1 24 a 11mm
brita 0 11 a 06mm
Pedrisco 6 a 0,075mm
Pó de rocha menor que 0,075mm

2)Vasos plásticos retêm mais umidade que os vasos cerâmicos, embora
existam vasos cerâmicos com características muito diferentes entre si.

3)O regime de regas e a ventilação do orquidário são os fatores de
equilíbrio. Achar a situação ideal para o cultivo independe de qual tipo
de substrato se utiliza, pois os diversos fatores que determinam um
cultivo bom ou ruim são interdependentes entre si (substrato, ventilação,
regas, luminosidade, adubação, controle de pragas etc).

O cultivo em brita tem uma vantagem enorme sobre os demais substratos
orgânicos, que é justamente não se decompor. Assim, não é necessário
remover todo o substrato no processo de replante. Para os seedlings, o
que costumo fazer é dar uma esguichada de água no “torrão” para retirar
restos de adubo orgânico, colocar em um vaso maior e completar o espaço
restante com brita. Pode parecer uma bobagem, mas a economia de tempo é
gigantesca e o trauma do replante é quase imperceptível. E para mim isso
faz toda a diferença já que geralmente tenho apenas dois finais de
semana por mês para me dedicar ao orquidário.


C. intermedia

Utilizo a brita pura ou brita mais esfagno. A mistura de brita com
substratos orgânicos (fibra de coco, casca de pinus, xaxim etc) têm um
aspecto negativo no meu ponto de vista, que é justamente o substrato
orgânico se decompor e a brita não. Isso vai obrigar à remoção total do
substrato, conseqüentemente com maior perda de tempo no replante, poda
de raízes e um trauma maior na planta. Outro aspecto relevante é que
como o substrato nunca encharca, as raízes permanecem vivas, mesmo nos
pseudobulbos traseiros. E aí vale a regra de que se as raízes estão bem,
sua planta também está bem. Além de facilitar na obtenção de mudas de
cortes traseiros.


C. lueddemaniana- brita e esfagno

Com o tempo fui ficando mais confiante em arriscar alguns testes. Hoje
em dia tenho plantas em vaso de cerâmica e brita pura (Foto 2) e também
vaso plástico e brita pura (Fotos 3, 4 e 5). Com toda a saúde e vigor. A
recomendação que dou, no entanto, é adotar esse sistema de brita + vaso
cerâmico apenas para plantas vigorosas, o que não significa
necessariamente plantas adultas.


C.labiata rubra brita e esfagno

Utilizo a combinação de brita mais esfagno de várias maneiras, tanto em
vaso de plástico quanto em vaso de cerâmica, a título de experiência.
Uma é envolvendo as raízes de seedlings ou mesmo plantas maiores com
esfagno e completando o resto com brita (Sistema Carlos Gomes). A outra
é colocando um chumaço de esfagno bem apertado na borda do vaso e
completando o resto com brita (Foto 6). A terceira maneira é, após o
replante, cobrir o vaso com um pouco de esfagno (Foto 7). A meu ver a
vantagem do esfagno é deixar o substrato úmido por mais tempo, em
especial nos vasos de cerâmica, e manter o adubo químico por mais tempo
em contato com as raízes. Após o enraizamento da planta pode-se retirar
esse esfagno que cobre o vaso e assim evitar o encharcamento nos meses
de chuva. Nos meses de seca, como por exemplo agora no sudeste, essa
camada de esfagno mantém a umidade no vaso e impede que a planta
desidrate. E você pode por ou tirar essa camada de esfagno quando
quiser, sem ter que replantar. Desde que não tenha centenas ou milhares
de plantas, óbvio.

E para finalizar, os mitos sobre a brita como substrato.

1)Acidifica o meio. Mentira. E mesmo que acidificasse não seria tanto a
ponto de prejudicar o desenvolvimento das plantas. Lembre-se que as
orquídeas apreciam um pH levemente ácido. Atentem para o pH da água da
rega e esqueçam as besteiras que são ditas por aí.

2)Essa crença da brita ser ácida pode ser decorrência do fato de que os
granitos são considerados rochas ácidas enquanto os basaltos são
considerados rochas básicas. POR FAVOR, ESSA ACIDEZ NÃO TEM NADA A VER COM
pH, mas sim com o teor de quartzo presente nessas rochas, maior nos
granitos e muito pequeno nos basaltos.

3)A intoxicação por alumínio também é sempre dita por aí. As rochas
graníticas têm alumínio presente nos feldspatos e micas. O fato é que esse
alumínio é parte de uma estrutura silicática, formada por silício (Si) e
oxigênio (O), que posso assegurar que é muito difícil de ser quebrada e
liberada. Nas condições de temperatura e pH de um orquidário e pelo tempo
que uma planta pode ficar nesse substrato, é praticamente impossível a
brita liberar qualquer elemento tóxico para as plantas. Em especial porque
os minerais gerados a partir da alteração de feldspatos e micas também são
silicáticos. Se ainda assim alguém ficar desconfiado, recomendo usar seixo
de rio, que é formado essencialmente de quartzo e sílex (SiO2) e
dissolvidos apenas por ácido fluorídrico (HF).

Sobre a desvantagem do peso, a imaginação dos orquidófilos é suficiente
para resolver. Dá para usar vaso de plástico, argila expandida ou isopor
como dreno e aí o vaso não fica tão pesado.

Qualquer dúvida, estou à disposição.

MUITO OBRIGADA CHICO!!!!
AGRADEÇO EM NOME DO TODO O PESSOAL DO CÍRCULO ORQUIDÓFILO SOROCABANO!

COLOCO AQUI NOVAMENTE SEU E-MAIL PARA CONTATO: ftognoli@rc.unesp.br

FOTOS NO LINK:http://www.freewebs.com/cos1971/curiosidades.htm

TEXTO 02

Existe aqui em Eugênio de Melo, um produtor de orquídeas para exportação e mercado interno (Flora Takanashi), que usa brita nº 2 como substrato.
Eu tenho acompanhado já a algum tempo o desenvolvimento de quase todas as espécies de Cattleyas bifoliadas que ele cultiva (híbridos e naturais), e o desenvolvimento é muito bom.
A adubação é feita com adubo orgânico (mamona, etc.) e adubo químico, e um detalhe muito importante: só usam vasos de plástico! Segundo o Sr. Antônio e a D. Erika, a combinação "brita + vaso de plástico" apresentou uma série de benefícios e conseqüente redução dos custos de produção:
1. Não é necessário replante constante por vencimento do substrato. A planta cultivada em brita só é replantada em dois casos: crescimento da planta para fora das bordas do vaso e com apodrecimento do material plástico, o vaso fica quebradiço, o que leva em média 6 a 8 anos para acontecer.
2. Os vasos plásticos diminuem a evaporação, retendo um certo grau de umidade, apesar das pedras, e como já observei, dependendo da situação, criam ambiente favorável até para ocorrência de um tipo de musgo ou limo verde sobre elas, que é muito apreciado por algumas bifoliadas, tais como, C. schilleriana, C. velutina, C. kerrii e até C. violácea.
3. Em caso de uso de adubo químico, quando as regas são
intercaladas, com adubo e sem adubo (água pura abundante uma vez por semana pela manhã), estas servem como limpeza das pedras, retirando o excesso de componentes minerais que nelas não se aderem com a mesma facilidade que ficam retidas no xaxim.
Acho que só por estes três itens já dá para ter uma noção da economia que eles estão tendo: vaso plástico não quebra, pode ser reutilizado, e o mesmo acontece para as britas (basta lavar com uma solução de cloro; não tem mais gastos com xaxim; diminuiu o uso de defensivos para certas pragas tipo aqueles malditos pequeninos caracóis que infestam o xaxim; não preciso nem falar da mão de obra... etc.. Sei que aumentou o consumo de água e fertilizantes, pois os viveiros são "nebulizados" com mais constância, mas creio que a diferença em valor represente muito pouco, compensando no custo final, não me disseram quanto foi o ganho no custo de produção por planta, mas sei que estão gradativamente trocando o cultivo de todas as espécies que produzem.
E o mais importante : As plantas são ótimas !
Já mudei algumas das minhas bifoliadas para plástico + pedra, e a principio, não se incomodaram com a mudança.
O inconveniente que encontrei é que não posso mais pendurar os vasos, tendo que mantê-los sobre bancadas. - Lourenço

2 comentários:

  1. João, o teu blog está muito bom. Não sei se paraste de escrever pois vi que o último texto é de 2011, mas os textos existentes são interessantes. Apesar de gaúcho sou de Florianópolis e cultivo orquídeas desde 2007. Apreciei o texto sobre cultivo em brita pois estou fazendo experiências neste sentido. Voltarei a pesquisar em teu blog. Um abraço, Silvio

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